sábado, 12 de setembro de 2009

Publicidade japonesa espera mudanças

Com vitória do Partido Democrático nas eleições, mercado vislumbra maior defesa ao consumidor, apoio a produtos amigáveis ao meio-ambiente e marketing mais digital

11/09/2009 - 14:30

O Japão pode se tornar um país mais fácil para anunciantes e agências multinacionais, graças à vitória do Partido Democrático, após 54 anos de liderança do Partido Democrático Liberal. Trata-se de uma boa notícia, pois o país tem sido um mercado difícil para empresas do Ocidente, especialmente após a crise global ter prejudicado as exportações que deram sustentação à economia local desde o início dos anos 90 (o Japão anunciou nesta sexta-feira, 11, um crescimento de 0,6% no PIB, mais do que países europeus como Alemanha e França, além dos Estados Unidos).

As exportações para os EUA caíram quase 40% e para a Europa mais de 45%. Até para a China, onde o PIB segue crescendo 8%, as exportações caíram 26%. A consequência é que empresas locais como Toyota e Nissan estão cortando a produção doméstica.

"Para ser honesto, não poderia estar pior, então o mercado pensa que as eleições podem melhorar as coisas. Estamos buscando sinais de que poderá haver maior investimento na economia", afirmou Dave McCaughan, diretor de planejamento estratégico do McCann Worldgroup na Ásia.

Há boas razões para otimisto, já que a campanha do Partido Democrático prometeu incluir ideias para aumentar os gastos do consumidor, como pagamento de bônus para novos pais, uma movimentação que pode também aumentar a população do país. O partido promete também o uso de produtos e serviços amigáveis ao meio-ambiente. A área de híbridos da Toyota é uma das poucas áreas que crescem na indústria automobilística no Japão.

Os anunciantes devem também estar preparados para manter a linha no novo regime. Os consumidores japoneses reclamam das empresas se não gostam dos seus produtos. Mas está prevista agora a introdução de uma organização de direitos do consumidor patrocinada pelo governo.

"Isso pode não estimular as vendas, mas dará um novo dinamismo ao marketing e aumentar a importância de conhecer o que as pessoas estão falando e talvez ser mais cuidadosos na maneira como desenvolvemos materiais como os detalhes das embalagens e sites corporativos com informações de produtos", afirmou McCaughan.

"A transparência do governo sob o novo partido gerará uma transparência no setor corporativo", aposta Chris Beaumont, professor da Universidade de Tóquio e ex-líder da operação do Grey Group no Japão. "A eleição não é uma revolução, mas sangue novo na política. Deveremos ver mais defesa do consumidor", diz.

O Japão tem sido um mercado duro para agências estrangeiras, porque o investimento em mídia historicamente foi controlado por algumas poucas gigantes locais, como Dentsu e Hakuhodo, impedindo empresas ocidentais de fazer parte do aspecto mais lucrativo da indústria publicitária.

Mas isso também pode mudar, conforme as empresas japonesas sentem a dor da recessão e buscam soluções de marketing mais efetivas, como marketing digital, que não são ditadas pelas agências locais de maneira feroz.

"Espero ver um crescimento maciço em marketing digital no Japão de empresas como Procter & Gamble, Shisheido e Coca-Cola, especialmente para produtos voltados para consumidores de mais idade, que são relativamente ricos", disse Beaumont.

O porta-voz da Denstu Yukihiro Oguchi espera que o mercado siga da mesma maneira, mas que a empresa não conta com isso. Em 7 de setembro, a Denstu apontou suas vendas em agosto, com queda de 13,5% em relação a 2008. TV caiu 27% e revistas mais 32%, ao passo que mídia interativa e marketing e promoção subiram ligeiramente.

O fato mais importante do ponto de vista do marketing é que as pessoas no Japão falaram, reafirmando uma tendência de auto-expressão nos anos mais recentes. Tanto jovens quanto pessoas mais velhas no Japão dizem que sentem-se com mais liberdade do que as gerações anteriores, de acordo com pesquisa da McCann Erickson de Tóquio.

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