Depois de receber punição histórica de R$ 352 milhões do Cade, multinacional também poderá ser condenada em três outros processos, que gerariam uma multa em torno de R$ 1,2 bilhão
24/07/2009 - 09:49
Após ter sido alvo da maior multa já aplicada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) nessa semana (R$ 352 milhões), as perdas da Ambev podem ser ainda maiores.Além da denúncia feita pelo Grupo Schincariol junto ao Cade, a multinacional do setor de bebidas recebeu outros três processos de concorrentes, que também alegam a companhia de ter realizado práticas anticompetitivas. Esses três processos foram abertos em 2008 e, caso o julgamento seja desfavorável a Ambev, a multa por cada um deles giraria em torno de R$ 370 milhões - calculadas com base no faturamento da multinacional do ano anterior, ou seja, de 2007. Se o Cade repetir a decisão tomada nesse último dia 22 e condenar a Ambev nos três casos, a multa poderia atingir o valor 1,2 bilhão.
As três novas investigações vêm sendo conduzidas pela Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça. Duas delas foram abertas pela marca de cerveja Kaiser, do Grupo Femsa, por uma justificativa semelhante àquela feita pelo Grupo Schincariol. De acordo com a Kaiser, a Ambev teria firmado acordos de exclusividade com diversos estabelecimentos para a comercialização exclusiva de suas bebidas em detrimento da venda da cerveja Sol. Além dessas práticas, a Kaiser também acusa a Ambev de explorar o programa de fidelidade "Tô Contigo" para criar uma hegemonia das marcas Skol, Antarctica e Brahma nos pontos de venda e, assim, prejudicar a concorrência.
O terceiro processo foi aberto diretamente pelo Grupo Femsa e também girou em torno da cerveja Sol. De acordo com a parte acusadora, a Ambev teria lançado, na mesma época, as cervejas Puerto Del Sol e Puerto Del Mar, numa tentativa de confundir os consumidores e, ao mesmo tempo, prejudicar as vendas da marca da Femsa. O processo ainda afirma que a publicidade realizada pela Ambev para as duas cervejas era muito semelhante ao da Sol, o que, também, prejudicaria a concorrência no mercado.
A AmBev alega ter retirado as marcas Puerto Del Sol e Puerto Del Mar do mercado em 2006, por conta de várias liminares acordadas entre a multinacional e a Femsa. Todas as informações passadas pela companhia estão sendo avaliadas pelo SDE.
Com informações do Valor Econômico.
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